quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FARMÁCIA

Para Aline 

Para curar meu veneno tenho a sua lembrança,
E tirar do gelo que me corta quero o teu beijo,
Para me esquentar preciso de você
Como um remédio para a minha vida esperada.

Espero por você sete dias por semana
E durante as semanas do meu existir,
Doente nessa angústia da sua voz sem sua imagem,
Nas mãos a esperança do tempo a curar.

Mas o próprio tempo é parasita,
Gasta minhas forças que guardo para pensar em você,
E quando passo por cima disto tudo
Vejo a certeza do meu futuro unido ao seu.

Só que para curar este presente,
Sua lembrança me vem além da força.
Porque aquele ursinho ao lado da minha cama
Me traz seu cheiro, sua imagem… você.

(mio pascuotte)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chão, Pó e Lua

Algumas vezes eu vazio não me basto
E corro me buscar em outro canto.
E sei que caio, morro, em pé me arrasto
Para ter nas mãos do céu o meu primeiro manto
Mas não seguro o pranto e grito tanto que te afasto.

Na escuridão diáfana eu passeio
E você vela de longe esse meu caos
Na loucura perdida que perco nas esquinas da minha vida.

Chão, pó e lua…

A noite macia acomoda a inquietação,
Se chega nua, pois no breu não vejo a dor
Mas quando vem com o manto,
No entanto, traz-me um cálido acalanto.
Teu encanto vem de canto
E seduz-me mais um tanto
E me causa um vão espanto
Quando crava-me o punhal.

Derradeira alvorada…

Desata o nó que me mantinha preso ao chão
E na tua luz tenho o meu sincero perdão
Por tudo que deixei de fazer, por todo não.

Chão, pó e lua…

Com que força atiram-me aos leões
E coroam meus feitos gloriosos…
Ou sou só eu quem escuta os trovões
E enxerga o mais-amor e o mais-atroz? Os
Minutos escorrem por meus dedos.
E é a partir disso que eu já não sei quem sou.

Olho a lua.
Mas a lua não tem mais sentido sem sua aparição
Nem a grama ou as estrelas.
Por isso olho a lua para me procurar:
Para me achar.

(mio pascuotte/josé percego)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

[Aula] História Maluca

Como despertar nos alunos o gosto pela escrita?
Esta é a pergunta que muitos professores se fazem antes de bolar alguma atividade para este fim. Eu mesmo confesso que, em minha curta carreira, pensei diversas maneiras de fazer isso acontecer, muitas perpassam pela leitura, mas se não houver o gosto pela leitura, então a escrita estará fatalmente prejudicada.
Com base em alguns estudos sobre o Gestar II, programa federal do qual tive a oportunidade de participar em 2009, em Campinas, experimentei desenvolver essa atividade, que eles chamam de História Maluca. Ela consiste num jogo de perguntas e respostas, em que o resultado final é inesperadamente engraçado e aparentemente sem sentido. Essa comicidade convida os alunos ao desafio de desdobrar sua história, tornando-a verossímil, o que não fará com que a mesma deixa de ser engraçada...
Começo fazendo 10 perguntas, às quais eles deverão dar respostas simples o objetivas. Nesta atividade em específico, fiz as seguintes perguntas:

1) Diga o nome de um local comum.
2) Escolha o nome de uma pessoa famosa.
3) Diga o nome de um sentimento.
4) Indique um verbo.
5) Escreva uma frase qualquer.
6) Diga o nome de um objeto.
7) Escreva outra frase.
8) Escolha um outro sentimento, diferente do item 3.
9) Nome de algum amigo, parente ou pessoa próxima.
10) Escolha um verbo de ação.

A seguir, coloquei na lousa a proposta da redação, em que eles tiveram que contrastar suas primeiras respostas com as situações correspondentes abaixo:

1) Lugar onde você estava
2) Quem você encontrou lá?
3) O que você sentiu ao ver o famoso?
4) O que você fez quando ele veio falar com você?
5) O que ele te disse?
6) Objeto que ele te deu antes de sair.
7) O que você disse ao sair?
8) O que você sentiu depois do encontro?
9) Para quem você entregou o objeto dado pelo famoso?
10) O que esta pessoa fez com o objeto.

O resultado foi chamado de "História de um Encontro", cujos resultados posto a partir de agora:

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HISTÓRIA DE UM ENCONTRO

Um certo dia eu fui à padaria e lá estava o Silvio Santos. Senti paz e pedi a ele felicidade, mas ele me deu uma caneta. Eu disse:
- Estou precisando descansar, mas ele foi embora
Eu senti saudade.
Ele entregou a caneta pra mim, e eu entreguei para o João Paulo, meu neto, que ele lutou muito com a caneta, mas desistiu e jogou no lixo.

Leni.
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HISTÓRIA DE UM ENCONTRO

Passeando eu no jardim botânico, curtindo a beleza das flores, caminhando e observando tudo... Olha quem vem ao meu encontro: Fábio Júnior, o grande cantor romântico!
Fiquei muito feliz , pois já há muito tempo não o via na TV e sentia muita saudade. Ele falou comigo alguns minutos:
- O dia está lindo, mesmo com chuva.
E me deu de lembrança uma linda caneta. Quando foi embora, eu disse:
- Fábio Júnior, eu gosto muito destes dias de chuva. Foi quando ele me deixou mesmo. Aí vi que sentia por ele amor.
Fui para casa, dei a caneta que ganhei para minha filha Áurea. Ela quebrou a caneta que ganhei. Acho que não gostou...

Denilza
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História de um encontro

Numa manhã de sexta- feira, fui à farmácia comprar um remédio de dor de cabeça, quando entrei e dei de cara com nada mais e nada menos que o Belo.
O que eu senti por ele sem querer acabou sendo ''Amor'', quando ele veio falar comigo ele disse: ''Amor ao próximo ''.
E quando eu saí da farmácia ele me deu um celular e eu lhe disse que sou feliz todo dia.
Depois do encontro eu senti felicidade, entreguei o celular que ganhei para Zilda (mãe), e ela saiu correndo com o celular.

Miriam
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História de um encontro
Em uma noite chuvosa, resolvi entrar no quarto de uma mansão quando de repente abri a porta. Quem estava lá? Toni Ramos! Ao vê-lo senti muita raiva, mas quando veio falar comigo senti amor por ele. Ele me disse: “com Deus irei vencer".
Antes de terminar de falar comigo, Toni Ramos me deu uma bolsa de presente.
Eu lhe disse: “Jamais deixarei de lutar”. Senti muito desejo de vê-lo novamente, mas, como não seria possível, não quis guardar ao nenos a recordação e dei o presente para a Camila, minha filha.

Irene
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História de um encontro

Estava eu um dia andando na nova rodoviária pela primeira vez, quando de repente bati de frete com Murilo Benício, ele ajudou a me levantar.
Senti um grande Amor.
Minhas pernas ficaram bambas e senti meu corpo tremer. E ele disse:
- A mudança só começa com o primeiro passo.
E me deu uma cama e foi para sair depressa. Mas eu o segurei, então eu disse:
- O coração bate no sentido contrário ao do sentimento.
Depois desse encontro inesperado, senti muita saudade e para não ficar lembrando do encontro peguei a cama que ele havia me dado e dei de presente para ao Pratick, meu amigo. Ele pegou a cama e saiu andando

Jurema
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História de um encontro

Eu estava na padaria quando de repente encontrei o faustão. Sentei muito medo porque não imaginava que eu encontraria o tal do faustão la na padaria. Aí ele disse:
- Vou te dar uma rasteira para você ir embora daqui, seu safado!
Então fui embora com raiva, mas antes de sair ele me deu uma camiseta, mas eu entreguei para o Antônio.

Jose Olímpio
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HISTÓRIA DE UM ENCONTRO. 

Eu estava na Farmácia e lá encontrei o ''Rei'' Roberto Carlos, minha paixão. 
Eu senti saudade ao encontrá-lo. Quando ele veio falar comigo, eu estava bebendo um suco. Ele me disse:
– Vamos caminhar na praia?
Ao sair ele me deu um livro, se despediu e disse:
– Fé em Deus. 
Depois do encontro eu senti que eu o amava de uma forma muito carinhosa, mas o objeto que ele me deu eu dei pra pessoa que eu amo de verdade, que é a minha filha Irley. 
Ela ficou muito feliz com o livro que o Roberto me deu; tão feliz que ela começou a pular. 

Edna

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

[Aula] Felicidade é...

Quem não conhece a canção "Tocando em Frente", do Almir Sater? Há muitas versões dela, de diversos cantores, e penso eu que é exatamente por conta de sua temática: a vida, as experiências, a felicidade...
Então, quando levei este tema aos meus alunos de EJA, muitos já a conheciam, mas nunca haviam refletido a respeitos destas coisas... Convidei-os a pensar um pouco a respeito de si mesmos, dos outros, das coisas da vida, sempre partindo das percepções e das palavras de Almir Sater.Como sempre, muitas histórias foram contadas, aprendemos muito com o que cada um já passou, e numa nova audição da canção pude sentir alguns alunos emocionados.
Realmente, pensar no nosso passado, parar para medir a vida e projetar o que mais pode vir mexe com nossos próprios sentimentos. Partindo da música, da opinião do autor, das histórias contadas pelos alunos e daquilo que cada um sentiu diante do tema, todos foram convidados a produzir um texto sob o título "Felicidade é...".
Eis todas as produções:
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FELICIDADE é...

O meu filho vir morar comigo.
E no domingo ir ao cinema e comer pipoca,
viajar com a família,
comer a comida da minha mãe e voltar a ser criança...
Felicidade é... ao acordar, ver que aí vem mais um dia, que estou viva e com saúde,
sem ela não somos nada!
Felicidade é... fazer o outro feliz, se doando e não pedir nada em troca, respeitando o próximo, com os seus defeitos e suas qualidade, isso é ser feliz!

(Edna – II TB)

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Felicidade é...

Viver a vida com simplicidade
Acordar de manhã, sentir a liberdade de sair no quintal ver o sol nascer no horizonte... A brisa do vento batendo no corpo da gente... Agradeço a Deus
Sinto o cheiro da terra molhada que ainda existe quando vem a chuva, as árvores batendo, as flores e folhas verdes, o cantar dos pássaros...

(Ana Maria – II TB)

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Felicidade é...

Amar a vida aprendendo a amar a si mesmo,
Amando a natureza,
Amando a família,
Perdoando os erros e defeitos.
Amar os animais,
E em especial a Deus.

(Eliana – II TB)

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A felicidade é quando a pessoa fica feliz com aquilo que faz ou aquilo com que se divirta, seja com a família ou com os amigos. Para isso, basta ser feliz, mas é preciso sorrir e só fazer o que gosta ou fazer com que se faça outros ou a família felizes, com todos. Se divertir ao longo da vida, mas com a família também.

(Fabrício – I TB)


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Felicidade é...

não ter pressa levar o sorriso nos lábios ter a certeza de que pouco sabe.
Ou nada sabe.
Ter as manhas da vida e saber viver cada manhã
conhecer o amargo e o doce da vida.
Fazer tudo com muito amor, ter paz para seguir a vida,
deixar chover em seu jardim para florir.
É cumprir a estrada da vida compreendendo tudo, marchando em frente,
chorando, amando, chegando e indo embora.
Cada um de nós compõe a nossa própria história, vivendo cada dia,
usando o dom da inteligência que temos, somos capazes de viver a
Felicidade!
(Irene – II TB)

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Ser feliz e quando as pessoas sabem conviver umas com as outras, aí elas serão sempre e sempre felizes. Eu amo a nim mesma, amo a minha casa, a minha escola, os meus professores, meus colegas, meus vizinhos. Eu amo minhas roupas e todas as outras coisas... Eu sou muito feliz porque tem sete anos que estou estudando, por isso eu vou em frente! Se deus quiser, eu termino! Vou ficar muito mais feliz!
(Izaura – II TB)

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Felicidade

Felicidade é amar e ser amado, sentir a brisa do amanhecer.
Não sentir dor e sim o amor, não bater, não sentir raiva.
É ver sorriso nos olhos do filho ou filha, é poder ver eles crescerem.
E não adoecerem.
É sentir o coração pulsar, saber que está vivo.
É sentir que uma pequena vida cresce dentro do seu ser,
é ver essa vida fluir e nascer.
É comer sua comida preferida no momento em que sentir vontade.
Ver as flores na primavera, ver renovação da vida a cada ano novo.
Enfim, ser feliz é diferente para cada um, pode ser qualquer coisa que não se imagina.

(Jurema – II TB)

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Felicidade é...

Amar e ser amado, sorrir e estar de bem com a vida.
É também sonhar e realizar, fazer o que gosta, estar com quem ama.
Ter família e amigos, é escutar uma música que se gosta.
Ser feliz pelas coisas mais simples da vida
é guardar os mínimos detalhes de sua vida que o faz feliz.
Querer e conseguir, errar e aprender, perdoar, gostar e amar.
Ser feliz é mais do que sorrir.
É ter tudo o que você ama e que você gosta,
e o que você não tem é preciso correr atrás e conseguir,
se não conseguir, correr atrás de outra coisa que te deixe feliz.
Felicidade para mim é amar, ter minha família, amigos e tudo aquilo que eu mais gosto.
''FELICIDADE É APROVEITAR A VIDA E OS SEUS MÍNIMOS DETALHES''
(Marta – I TB)

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Felicidade

Felicidade é acordar de manhã e agradecer a Deus pelo meu levantar e pelo meu respirar.
Felicidade é estar com saúde e poder trabalhar e estudar.
Felicidade é poder ver todos os meus amigos de trabalho e escola e saber que estão com saúde.
Felicidade é não reclamar das dificuldades que nós passamos no dia a dia, mas ter força para enfrentar, erguer a cabeça e seguir em frente.
Felicidade é estar muito feliz comigo mesmo.

(Rafael – I TB)



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Felicidade é saúde, estudar, ir para a igreja e ter paz, ter pessoas que a gente gosta por perto, ter casa pra gente morar e ter família.
Também é passear bastante, ter emprego, ter pessoas que respeitam a gente, ter comida para comer, ter mais um ano de vida, ter namorada, ter filhos, ter netos e terminar os meus estudos.

( Tiago – I TB)

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FELICIDADE é...

Ser como a Vanilta: não ligar que as pessoas não gostem dela, mas sim que ela gosta das pessoas. Ser feliz é ter saúde, muitos amigos e compartilhar a minha felicidade.
Se feliz é poder dançar, sorrir sem dor, ter uma família cheia de amor, como a minha!
Ser feliz é ser amada pelos filhos, como eu sou!

(Vanilta – II TB)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Caminhos de Sarita

Sarita tinha diante de si mais que dois caminhos. Além do caminho certo e do caminho errado, tão comuns a todas as pessoas, ela tinha também um outro ao qual ainda não tinha dado nome. Essas três alternativas, que formam um só problema, surpreenderam a pequena Sarita às 7 horas da noite de uma terça-feira trabalhosa, ocupada, estressante. Era um telefonema. Seu noivo, que a esperava em outra cidade, foi chamado para o emprego dos seus sonhos, no país dos seus sonhos, longe, muito longe – como sempre – do que Sarita imaginava para si (e para ambos).

Ao desligar o telefone, ainda no seu trabalho, ela se deteve por 30 minutos a observar a parede. Era o limite. Limite de tudo, limite para si, para seu ego, suas asas. E foi aí que Sarita vislumbrou os seus caminhos, que a deixavam sem respira. Ela voltou para casa, tomou seu banho pensando no significado de tudo aquilo; comeu, bebeu, assistiu TV com tudo aquilo na cabeça… e não dormiu.

Ainda antes das 3 da manhã, pensou mais firmemente no seu caminho errado. Como normalmente acontece, esteve mais tentada à escolhe-lo, a escolher seu antigo amor, caminho aberto desde sempre, reafirmado todos os dias. No mesmo ser, mas em outra pessoa, ela encontra sempre o seu noivo. Juntos desde a infância, é fato que eles se amam, que se querem, que se têm. Mas Sarita não sabe disso, ou melhor, não tem consciência, assim como ele, que com o tempo tomou uma névoa em seus olhos, deixando de enxergá-la com a paixão de antes. Acostumou-se, a bem dizer.

Sabia que era errado o caminho porque não era possível ter seu amigo de infância de volta, nem mesmo sua própria infância voltaria. Partir para isso seria partir para o fim, certamente. Mas o caminho certo também não tinha graça; nem amor. Sim, era o melhor para si, para ter a sua vida com conforto e estabilidade… mas Sarita não queria isso! Sarita queria desvendar o que sentia, e fazer desse sentimento o seu futuro. Era mesmo o limite, e dali trilharia novos rumos.

Foi então que ela sorriu, de um jeito meigo e infantil, ao observar suas mãos. Seus dedos leves, delicados, sensíveis ao ar que os cerca, nunca haviam feito tanto sentido para a menina Sarita. Olhava a liberdade de cada um, o movimento sincrônico de cada um, a forma de cada um. Seus braços livres no ar, suas pernas, seus cabelos, seus olhos… Então uma lágrima escorreu pela sua face, às 3 da manhã, sozinha no sofá. Assim, olhando seu corpo, sua representação no mundo, Sarita escolheu o terceiro caminho, que seria o seu caminho. Daí a emoção: pela primeira vez em tanto tempo a menina pensava em si, e fazia escolhas para si.

Três anos depois, ainda em fuga dos outros e na procura de si, Sarita perceberia na sua platéia a figura do seu amor, já antigo, que sorria com certo tipo de orgulho (ou paixão, talvez). Não pensou em nada no momento, apenas sorriu também e seguiu com sua palestra.

(mio pascuotte)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

VERDE

Feche a porta e acenda a luz.
Leia um poema rupestre
Pensando em seios fartos de bicos claros e macios.
Faça um poema.
Dedique sua raiva à ciberdelia.
As coisas divinas de hoje
Não se mostram assim populares,
Como naquela mulher saindo do lago:
Os cabelos escorridos e o corpo todo hidratado.
És um viajante.
És o alvo dos olhos fechados,
Da lágrima constante da lembrança.
Perca o rumo e encontre teu medo abandonado.
Ele está esperando tua soma,
Tua palavra
E teu poema pornográfico.
Verde é a cor de tua nudez,
Que dedica seu tempo à beleza e à voracidade.
Morda a boca que te beija
E mostre-se o caminho das idéias;
Como na vida, que passa por acaso
Nas ferrovias dos dias que te cruzam.

(mio pascuotte)

terça-feira, 12 de maio de 2009

CALCÁRIO

Queria morar numa pedra.
Queria mais ainda ser uma pedra
E não ficar no caminho de ninguém.
Ser sólido,
Ser harmônico,
Ser sóbrio.
Ao final, erodido, virar chão,
Virar mundo.

(Rodolfo L.Dressano)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

L'ESCARGOTS

Era uma vez um restaurante caipira.
Tinha só algumas mesas e o sorriso de uma moça no balcão.
Ali havia ordem demais, um abandono limpo,
Contrastado na crueza dos clientes.
Mas a moça era feliz, ao menos quando estava desprevenida.

Ela gostava de olhar a TV sem som;
Os gestos e as imagens transformavam sua percepção.
Gostava especialmente das novelas
E ria-se com os choros do México
E as histórias que ultrapassavam o letreiro de néon.

- Qual é o prato? - disse o primeiro e único cliente do dia.
Ela, um tanto aturdida, respondeu: - Peixe frito com batata.
Não gostava. Saiu batendo o pé, avisando para as lesmas do lado de fora.
A moça sorridente não gostava de lesmas, achava nojento,
E deu sal para as bichinhas comerem...

(mio pascuotte/josé percego)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Entrevistas com Clarice Lispector

Navegando na internet em busca de algum material sobre leitura para ser aplicado no Ensino Fundamental, me deparo com um vídeo sensacional: entrevista de Clarice Lispector para o jornalista Junio Lerner em 1977. O entrevistador por vezes parece chato, ainda mais quando a entrevistada o surpreende a cada resposta, mas sinto que ele nada mais fez que perguntar o que todos temos vontade de perguntar a um escritor tão consagrado como é Clarice.
Legal notar também a simplicidade desta mulher, ao mesmo tempo que demonstra extrema complexidade em suas palavras; não faz o tipo "vou responder algo que ninguém nunca imaginou", se limita a dizer o que pensa, o que vê, o que sente... O que sente...