Era uma vez um restaurante caipira.
Tinha só algumas mesas e o sorriso de uma moça no balcão.
Ali havia ordem demais, um abandono limpo,
Contrastado na crueza dos clientes.
Mas a moça era feliz, ao menos quando estava desprevenida.
Ela gostava de olhar a TV sem som;
Os gestos e as imagens transformavam sua percepção.
Gostava especialmente das novelas
E ria-se com os choros do México
E as histórias que ultrapassavam o letreiro de néon.
- Qual é o prato? - disse o primeiro e único cliente do dia.
Ela, um tanto aturdida, respondeu: - Peixe frito com batata.
Não gostava. Saiu batendo o pé, avisando para as lesmas do lado de fora.
A moça sorridente não gostava de lesmas, achava nojento,
E deu sal para as bichinhas comerem...
(mio pascuotte/josé percego)