quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chão, Pó e Lua

Algumas vezes eu vazio não me basto
E corro me buscar em outro canto.
E sei que caio, morro, em pé me arrasto
Para ter nas mãos do céu o meu primeiro manto
Mas não seguro o pranto e grito tanto que te afasto.

Na escuridão diáfana eu passeio
E você vela de longe esse meu caos
Na loucura perdida que perco nas esquinas da minha vida.

Chão, pó e lua…

A noite macia acomoda a inquietação,
Se chega nua, pois no breu não vejo a dor
Mas quando vem com o manto,
No entanto, traz-me um cálido acalanto.
Teu encanto vem de canto
E seduz-me mais um tanto
E me causa um vão espanto
Quando crava-me o punhal.

Derradeira alvorada…

Desata o nó que me mantinha preso ao chão
E na tua luz tenho o meu sincero perdão
Por tudo que deixei de fazer, por todo não.

Chão, pó e lua…

Com que força atiram-me aos leões
E coroam meus feitos gloriosos…
Ou sou só eu quem escuta os trovões
E enxerga o mais-amor e o mais-atroz? Os
Minutos escorrem por meus dedos.
E é a partir disso que eu já não sei quem sou.

Olho a lua.
Mas a lua não tem mais sentido sem sua aparição
Nem a grama ou as estrelas.
Por isso olho a lua para me procurar:
Para me achar.

(mio pascuotte/josé percego)

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